Casamento Pomerano

teste2O Casamento Pomerano era uma festa de três dias: iniciava na quinta-feira e terminava no domingo de manhã. Todas as famílias convidadas participavam trazendo os “comes e bebes”, ajudavam na organização e na preparação da festa. Na quinta-feira à tarde, depois de tudo estar preparado, a comemoração iniciava com muita música e dança. Após a dança, acontecia o tradicional quebra-louça, que na língua pomerana chama-se “puldren”. Segundo a tradição, o objetivo era quebrar a louça em maior número de cacos possíveis. Isso significava muita sorte para o casal de noivos na vida conjugal. Os noivos guardavam os cacos dentro de um embornal como lembrança. Ao final do “puldren”, as famílias se despediam e iam para suas casas.

Na sexta-feira bem cedo, o tocador de concertina e a pessoa que convidava (o “convidador” – geralmente o irmão da noiva ou um parente próximo) recebiam as famílias com gritos de boas vindas. Os convidados ofertavam uma moeda de pequeno valor, agradando os recepcionistas e ajudando aos donos da festa. Em seguida, tomavam o café da manhã: pão de milho, lingüiça defumada crua, queijo, manteiga de vaca, mel e melado, rapadura e café com leite. Após o café da manhã se prontificavam a caminhar um bom trecho para chegar a igreja com o noivo e noiva para receber a benção matrimonial. Nesta caminhada para a igreja, o “convidador” era o guia e seguia alguns metros à frente dos noivos e dos convidados. O grupo era recebido na porta da igreja pelo pastor.

Ao voltar da igreja, no almoço e na janta servia-se um banquete, com arroz doce recheado com pó de canela, batata doce, inhame, cará, aipim, sopa de arroz na calda de galinha, carne de boi e de galinha acompanhados com uma bebida de gengibre, em língua pomerana “gingebijr”.

Era expressamente proibido que os convidados trouxessem algo supersticioso que atrapalhasse o casamento, por exemplo: um galo. Era proibido o consumo de carne de galo nos banquetes, tinha que ser carne de galinha, pois eles acreditavam que o galo provocava brigas e desuniões entre os convidados (as) na festa. Se alguém se arriscasse ou acontecesse de trazer um galo para a festa, os pais dos noivos e as testemunhas mandavam o convidado embora ou que ele levasse o galo para casa e assim depois ele podia voltar e participar da festa, sem contribuir com nada. Segundo afirmações de antepassados, o galo simbolizava a transformação das pessoas amigas em inimigas, gerando brigas, confusão e desespero.

Os arcos enfeitados de flores eram colocados no caminho para a casa da noiva, simbolizando que ao passar debaixo deles, as pessoas deveriam deixar para trás toda maldade, rixas, mágoas, etc. que tudo isso ficasse no passado.

No dia do casamento o pai da noiva, à meia noite, subia num banco no salão de dança e pedia licença a todos os convidados e solicitava aos tocadores de concertina um minuto de silêncio para falar a tradicional e triste frase: “Queridos amigos (as) e convidados (as). A partir desta data a minha filha anda com um pé sobre o chão e com o outro debaixo do chão, mas para vocês continua a diversão e a alegria até clarear o dia”.

Isso, porque, após o casamento, o grande desafio para as famílias e principalmente para as mulheres gestantes, era dar à luz. Na época não existiam médicos. Feliz era aquela mulher que conseguia dar a luz de parto normal. Do contrário, as parteiras faziam de tudo para salvar a mãe e a criança, lutando contra o tempo e a morte. Em muitos casos, a palavra final de consolo à gestante foi: “você está sendo bem acompanhada para o cemitério”.

Existem várias versões sobre o porquê da noiva casar-se com o vestido preto, acompanhado com uma grinalda e uma fita verde. As informações que eu obtive, foram: que o vestido preto significava luto e tristeza, pensando em não conseguir ser mãe. O pouco verde significava uma pequena esperança de dar a luz a um filho e viver com alegria ao seu lado. Foi o que me convenceu, pois, esta versão é que tem mais lógica.