A Imigração Pomerana

a-imigracaoAs famílias dos imigrantes Pomeranos chegaram ao Brasil entre os anos de1856 a 1872, desembarcando em Vitória, Capital do Estado do Espírito Santo, vindos nos navios “Gutenberg” e “Doktor Barth”. Embarcaram em pequenos barcos subindo o rio “Santa Maria da Vitória” até a cidade de Santa Leopoldina, na época conhecido como “Porto do Cachoeiro” em língua Pomerana “Boud”.

As famílias saíram em pequenos grupos, subindo as montanhas, caminhando pelo leito do rio, buscando um clima favorável, semelhante ao da Europa e que lhes oferecesse proteção. O medo da perseguição era constante. Por isso, os pomeranos recém chegados caminharam aproximadamente uma distância de 30 quilômetros entre montanhas e a mata ainda desconhecidas por eles, chegando a um local adequado, afastado da cidade e de difícil acesso aos possíveis perseguidores. Os imigrantes batizaram a nova terra de “Alto Pomerânia” em língua Pomerana “Dat houg Pomerland”.

Segundo pesquisas feitas por volta dos anos de 1970, eles se conheciam e se chamavam como “irmãos alegres” e tinham um lema: “Nós temos a morte; os filhos, o sofrimento; os bisnetos e o pão”.

Entre várias pesquisas e entrevistas realizadas com as famílias pomeranas tivemos a oportunidade de ouvir algumas reclamações dos netos e bisnetos, lamentando a não permanência do nome dado à localidade pelos imigrantes antepassados. É bom lembrar que a antiga Pomerânia ficava em terras baixas e as novas terras conquistadas em uma região montanhosa.

Os primeiros imigrantes que chegaram à nova terra, dormiam com suas famílias em copas de árvores para não serem devorados pelos animais selvagens que rondavam o lugar. Eles também mantinham uma pessoa vigiando a noite para que os outros pudessem descansar e dormir com mais segurança. Mesmo assim, os animais selvagens atacavam durante a noite matando animais domésticos, principalmente os cachorros.

A primeira casa construída foi para a família do Senhor Fritz Klems e esposa Bertina. Este casal era responsável por receber os novos imigrantes em sua casa, encaminhando-os para suas respectivas terras. Nos finais de semana todos se encontravam para orar, tocar concertina, jogar baralho, dançar em casais, planejar e se organizar para vencer os obstáculos existentes na época.

A construção da primeira escola que serviu, também, como igreja, foi uma conquista muito esperada. Neste local as famílias puderam reunir-se em culto de louvor a Deus e reuniões para superarem suas dificuldades. Ela recebeu o nome de Belém, em honra e louvor ao nascimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Belém significa em língua hebraica “Casa de Pão” em Pomerano (Brod Huss) e em alemão (Brothaus). Nesta escola, o Sr. Hermann Berger foi o primeiro professor e educador dos filhos/as dos imigrantes. As aulas eram realizadas em língua alemã. As dificuldades das famílias eram tantas que, às vezes, pareciam insuportáveis ou mesmo sem solução. Segundo relatos dos descendentes dos primeiros imigrantes, o Governo Estadual da época ignorou suas dificuldades. Não tiveram apoio, aparentemente, por serem protestantes e não serem católicos.

Os imigrantes tiveram uma vida de muito sofrimento. Estavam abandonados nesta região. Muitas vidas de crianças foram ceifadas. Devido ao isolamento não conheciam a maioria dos alimentos comestíveis da região e acomunicação era somente entre eles.